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Traumas psicológicos

Nas últimas décadas, episódios traumáticos têm se intensificado. A violência das grandes cidades e a insegurança gerada pela crise política e econômica contribuem para o aumento de pessoas com traumas psicológicos. Assaltos, sequestros, estupros, acidentes naturais, enfermidades, conflitos interpessoais, desajustes familiares, desamparo, confrontos armados, acidentes automobilísticos e perdas de entes queridos são considerados, entre outros, eventos potencialmente traumáticos.
Para se ter ideia da dimensão do problema, no Brasil, dados do Ministério da Saúde indicam que a cada hora mais de cinco pessoas são internadas por conta de transtornos mentais e comportamentais. Destas, quase quatro são mulheres. De janeiro a junho foram 24.148 casos, sendo 15.986 mulheres e 8.162 homens.
É um mal que atinge a todos, independentemente da faixa etária e da classe social. No entanto, os transtornos psicológicos estão apartados do debate social e, portanto, muitas vezes ocorrem silenciosos dentro das casas e sem qualquer conhecimento dos próprios familiares, o que agrava ainda mais a situação. A falta de conhecimento é muitas vezes o maior impeditivo para a busca de tratamento.
Memórias traumáticas acarretam sofrimentos psíquicos, emocionais (como depressão), de ansiedade (fobias específicas, pânico, estresse pós-traumático) e físicos (fibromialgia, cefaleia, fadiga crônica). Estudos epidemiológicos estimam que a prevalência ao longo da vida para ocorrência de eventos potencialmente traumáticos pode alcançar de 50% a 90% da população. Em outras palavras, a maioria de nós passou ou passará por traumas psicológicos no decorrer da vida. Afinal, porque se discute tão abertamente sobre as doenças físicas e tão pouco sobre os males psicológicos? São sofrimentos, que muitas vezes, impossibilitam o indivíduo de ter uma vida sociável e produtiva. É preciso que este tabu seja quebrado.