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Suicídio: é possível evitar?

O Brasil, diferentemente de outros países, não tem conhecida tradição ou cultura suicida, porém, segundo dados do Mapa da Violência 2011, divulgado pelo Instituto Sangari e o Ministério da Justiça, das três causas de mortalidade violenta, os suicídios foram os que mais cresceram na década de 1998-2008: 17% tanto para a população total quanto para a jovem (com idade entre 15 e 24 anos).

Para o psicólogo e doutor em Neurociência e Comportamento pela USP, Julio Peres, é preciso estar atento aos sinais dados pelas pessoas com sintomas de depressão ou outros tipos de transtornos.

– Entre as principais causas que levam uma pessoa a acabar com a própria vida estão problemas como depressão, abuso de drogas e situações que despertam forte carga emocional, como o fim de um relacionamento amoroso, a perda de um emprego ou de um ente querido. Contudo, muitas dessas situações são vistas por familiares e amigos como algo temporário ou, muitas vezes, como “frescura” – explica Julio.

Segundo a  psicóloga Maria Lucia Stein, alguém que opta por esse fim está em um momento no qual não encontra nenhuma outra forma de lidar com o seu sofrimento. No entanto, muitas vezes pode ser difícil, principalmente para a família, perceber esse comportamento.

– Em muitos casos, as pessoas conseguem dissimular o plano de suicídio, enquanto que, em outros, os próximos de certa forma se negam a aceitar que esse ente querido possa ter essa intenção – esclarece.

Quando não há a determinação, apenas a ideia de suicidar-se, os sinais podem, porém, ser mais claros.

– Existem alguns comportamentos, como os de tentativas de suicídio, que são pedidos desesperados de ajuda e precisam ser levados a sério – completa Maria Lucia.

Conforme a psicóloga, é preciso ficar atento a alguns sinais:

:: Tristeza profunda;
:: Isolamento;
:: Negação de falar sobre que está sentindo;
:: Pessimismo e comportamento que demonstra desistência de viver e melancolia;
:: Falta de interesse em vários aspectos da vida;
:: Diminuição dos laços que conectam com a realidade.

O que fazer

Segundo os psicólogos, a partir do momento que familiares e amigos percebem um comportamento deste tipo, é preciso ficar por perto e buscar ajuda profissional.

As psicoterapias atuais enfatizam as estratégias de superação utilizadas naturalmente por indivíduos resilientes (com a capacidade de atravessar situações traumáticas e voltar a qualidade de vida satisfatória). De acordo com o psicólogo, experiências traumáticas podem criar oportunidades de crescimento pessoal através da introdução de novos valores e perspectivas para a vida.

– Essa atitude de desenvolver novos interesses e objetivos de vida após o trauma é um dos cinco fatores do crescimento pessoal. Os outros fatores que podem agir de modo independente ou paralelamente são: apreciação e valorização da vida, melhor relação familiar e interpessoal, resgate da religiosidade e espiritualidade no dia a dia, e descoberta de força e recursos pessoais para superação de adversidades. Esses fatores podem salvar um indivíduo de optar pelo suicídio e, além disso, permitem a construção de uma qualidade de vida superior a que ele tinha antes do trauma – afirma.