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Mulher coragem

Na nossa profissão (para quem ainda não sabe, nós três somos jornalistas), a frustração é uma constante. É pauta não aceita, é matéria que cai, é entrevistado que não entra e título broxante que lhe é imposto. Nessas gincanas diárias e semanais, muita coisa se perde no caminho. Na semana passada, fiz a matéria sobre aquela mulher que fez uma denúncia de dentro de um cemitério da grande São Paulo. Ao ver dois policiais assassinando um rapaz a sangue frio, ela não titubeou. Pegou o celular e discou 190. E ainda enfrentou um dos policiais dizendo-lhe que tinha visto tudo. A matéria era de “comportamento”, e por isso ouvi um psicólogo para falar sobre coragem. Na última hora, por causa do tiroteio na escola do Rio (sem palavras…), a minha matéria mudou de editoria e teve quer ter uma cara mais policial. E a frase do psicólogo caiu. Depois de toda essa descrição dos bastidores do fechamento de uma revista, finalmente cheguei onde queria. Divido, aqui com vocês, a frase do psicólogo e doutor em neurociência Julio Peres sobre a tal mulher. Eu, claro, adorei.

“Não sei quem ela é, mas posso afirmar que ela tem a auto-estima elevada, é muito bem resolvida com seus ideais e não abre mão de seus valores éticos. Atos corajosos têm uma profunda ligação com dar um significado maior à existência. Coragem não é o contrário de medo, como se acredita, mas sim um diálogo com o medo. Coragem significa agir com o coração. E numa cultura na qual o temor prevalece, poucas pessoas conseguem seguir o coração. Ela é um grande exemplo a ser seguido”

Débora – A Separada