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Garota Interrompida

Se você já sofreu abuso sexual, não é exceção. Ninguém fala, mas acontece nas melhores famílias – e por que não na sua? Tpm ouve histórias e destrincha o tabu que causa não só traumas mas também culpa

Sofia* tinha 6 anos quando descobriu a sexualidade – pelo menos, na prática. Estava com o primo de 17, na casa da avó, quando ele começou a tocar regiões do seu corpo em que só sua mãe encostava, durante o banho. A menina não sabia que aquele tipo de carinho, nessas circunstâncias, não era natural entre adultos e crianças, embora aconteça em muitas outras famílias. E, nas primeiras vezes que Marcos* se esfregou nas coxas dela até ejacular, tocou seu clitóris ou mandou que ela fizesse sexo oral nele, Sofia ficava paralisada pelo medo da situação desconhecida. A confusão aumentou quando sentiu que os estímulos geravam uma sensação prazerosa – porém involuntária –, causada pelas terminações nervosas que se concentram nas zonas erógenas do corpo. Como qualquer criança, ela descobriria isso interagindo com amiguinhos da mesma idade e tocando o próprio corpo. Mas não deu tempo.