Entrevista Julio Peres sobre Religiosidade e Espiritualidade na Psicoterapia concedida ao CRP

Entrevista Dr Julio Peres, Psicoterapia modifica o Cérebro.
9 de Maio de 2018

Entrevista Julio Peres sobre Religiosidade e Espiritualidade na Psicoterapia concedida ao CRP

Segundo Julio Peres (CRP-06/36003), Psicólogo Doutor em Neurociências e Comportamento, o profissional deve estar confortável para abordar temas sobre espiritualidade e religiosidade com o paciente, para que o processo terapêutico siga as diretrizes éticas. “Há um crescente reconhecimento da necessidade de se levar em conta o ambiente cultural e os sistemas de crenças dos pacientes na psicoterapia. Respeitar as opiniões e realidades subjetivas do paciente é uma necessidade terapêutica e um dever ético, mesmo que os profissionais não compartilhem das mesmas crenças”. Faz-se necessário considerar que, assim como a religiosidade pode compor a subjetividade do paciente, é possível que o Psicólogo, como indivíduo, também possua crenças. Portanto, de que maneira a Psicologia pode ser aplicada sem que transmita os valores e as crenças pessoais do profissional? Como a religião se faz presente no consultório? De acordo com Peres, as informações obtidas na psicoterapia devem versar sobre o que o paciente acredita, exigindo do Psicólogo conhecimento de estratégias objetivas para otimizar o enfrentamento e a superação das dificuldades que o paciente, com base nesse sistema de crenças, apresenta. João Valença (CRP-05/24529), Psicólogo e Teólogo, conta que sua religiosidade interfere na medida em que o sensibiliza para a espiritualidade do seu paciente. “O discurso religioso, na minha prática profissional, é sempre um conteúdo que fala dessa pessoa e da sua relação com a vida”. Valença acredita que a religião existe para dar um ordenamento, para ajudar o paciente a organizar sua vida. Para ele, somente quando isso não está acontecendo a contento é que se deve propor ao cliente que amplie sua fala, para que haja o “des-novelamento” do seu viver. Sob a perspectiva de Cristiana Serra, o olhar do Psicólogo em relação ao paciente é permeado por toda a sua “bagagem pessoal” e não apenas pelas convicções religiosas. “Minha compreensão global do sentido da busca do sujeito que se apresenta diante de mim será tão moldada pelas reflexões teóricas com que me identifico quanto pelo meu entendimento pessoal do sentido da minha própria trajetória”.

 

Para saber mais veja http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-60832007000700017