CASOS CLÍNICOS

Extraí do meu livro “Trauma e Superação” alguns breves relatos de pacientes que enfrentaram suas dificuldades e modificaram significativamente suas vidas para melhor. Os nomes e as profissões foram modificados em respeito ao sigilo profissional. São exemplos de superação inspiradores às pessoas que vivem situações parecidas e ainda não encontraram um caminho para a boa qualidade de vida que merecem!

A Perda Trágica, em Acidente de Carro, do meu Caçulinha com 19 Anos…
Relato de Antonia, 58 anos, empresária, viúva e mãe de três filhos.
A perda de uma pessoa querida é sempre um grande golpe. Perdi meu marido no auge da juventude e do nosso amor. Meu caçulinha tinha apenas três aninhos. Anos passaram… e há um ano, uma dor imensa tomou conta do meu coração… a perda trágica, em acidente de carro, do meu caçulinha com 19 anos.
Arrancaram um pedaço de mim, fiquei sem chão, não sabia sequer para onde olhar… Busquei caminhos de superação por todos os lados. Depois de 6 meses procurei por psicoterapia. A fé em Deus, a amada família, os amigos e os encontros com o Dr. Julio, quando tenho oportunidade de analisar e buscar respostas para minhas dores e dúvidas, estão me dando forças para seguir em frente. Sei que a dor não passará, mas o sofrimento diminui aos poucos… Hoje, quando me lembro dos momentos intensos e felizes que passamos juntos e ao lado dos meus outros dois filhos, às vezes… já consigo sorrir!

Não me Sentia Merecedora de Coisas Boas…
Relato de Martha, 40 anos, professora universitária, casada, mãe de duas filhas.
Quando procurei ajuda na psicoterapia, encontrava-me em um estado espiritual e psicológico bastante confuso. Os dois fatores, na minha opinião, sempre estiveram intimamente ligados. Eu me enxergava uma pessoa menos bonita, menos culta, menos apresentável e menos digna de receber amor do que as outras pessoas do meu convívio. Tinha muita dificuldade de expor o meu ponto de vista sobre praticamente todos os assuntos. O que eu procurava fazer era tentar saber o que as outras pessoas com as quais eu estava conversando pensavam, para poder dizer o que vinha ao encontro de suas convicções. Imaginava que assim, seria aceita por elas. Esse modo de agir me trouxe problemas de autoestima e, conseqüentemente, passei a ter dificuldade de praticar qualquer ato que me desse algum prazer. Não me sentia merecedora de coisas boas. Compreendi os traumas que me faziam sentir assim, e com a eficiente ajuda da psicoterapia e com o amor do meu querido marido e filhas, hoje tenho plena consciência de que sou umas pessoa inteligente e culta, capazes de expor os meus pontos de vista. Ah! E caso não saiba de alguma coisa, não tenho dificuldade nenhuma em dizer que não tenho conhecimento nenhum sobre o assunto em questão. Freqüento uma academia onde tem muitas pessoas bonitas, tanto quanto eu, e me sinto muito orgulhosa de ser digna do amor de um homem tão maravilhoso como o que eu tenho e de ser a mulher para acompanhá-lo a qualquer tipo de evento.
Passei por Três Hospitais até Chegar à Internação numa Casa de Saúde…
Relato de Marcela, 26 anos, musicista.
Devido a uma vida desregrada, alimentação inadequada e mistura de álcool com medicamentos, entre outras coisas, tive um surto (episódio onde a realidade se mistura com irrealidade). Eu, consciente, via tudo passar pela minha mente em altíssima velocidade, mas não conseguia falar nem reagir. Eu tentava fazer o sinal-da-cruz e meus braços não respondiam, comecei então a rezar várias vezes, numa repetição frenética, então tudo foi se aclarando. Fui medicada e passei por três hospitais até chegar à internação numa casa de saúde. Eu continuava me sentindo sozinha, mesmo com família ou em grupos de amigos. Depois procurei por psicoterapia e há vários anos eu me sinto bem melhor! Durante o tratamento, os meus familiares estiveram sempre junto a mim e amigos de verdade não faltaram. Vivo normalmente, trabalho e estudo. Sei que durante toda a minha vida sempre existiu quem fizesse orações por mim.
A todos e a Deus agradeço de coração. A religiosidade, herança materna e paterna que me acompanhava a vida inteira, fez muita diferença (e ainda faz) na boa vida que tenho…

Não Sabia mais Ser Diferente…
Relato de Luiza, 62 anos, engenheira, casada, mãe de dois filhos.
Ainda com meus filhos pequenos eu me separei e, pouco tempo depois, o pai cometeu suicídio. Tive de arregaçar as mangas e trabalhar muito para prover as condições que considerava necessárias ao desenvolvimento das minhas crianças. Sem perceber, eu me tornei uma pessoa enérgica, forte e rígida. Considerava que se não fosse assim não daria conta de tudo… Muito tempo passou, meus filhos se formaram e mesmo assim, não sabia mais ser diferente… Continuava vivendo como se estivesse num campo de batalha, onde apenas os fortes sobrevivem. Ao mesmo tempo em que superprotegia meus filhos, exigia deles a mesma força, garra e combatividade que eu desempenhava perante a vida. Considerava meus filhos fracos, incapazes e, por conta do meu temperamento bélico e perfeccionista, eles também ficaram “doentes”… Não dava espaço para meus filhos serem o que eram. Depois de muita dificuldade, especialmente com o meu filho, admiti que precisava de ajuda… Entendi que aquele modelo fora necessário no passado, mas que não era o único. Minha principal superação foi modificar aquela estrutura pesada que carreguei por muitos anos. Consegui entrar em contato com meus sentimentos, com a minha sensibilidade e também com a minha fragilidade. A minha superação acabou por refletir na relação com os meus filhos, hoje muito mais agradável. Vivo mais calma e me ocupo muito mais com a vida espiritual. Ainda preciso aprender muito, mas me sinto bem melhor e mais confortável.

Minha Mãe, com sua Loucura, não Agüentou Criar Quatro Meninas Sozinha…
Relato de Renata, 26 anos, economista.
Nasci em um lar desestruturado e enfrentei muitos desafios na minha vida… Minha mãe teve quatro filhas, e meu pai nunca esteve presente. Minhas irmãs e eu vivemos enfurnadas por toda infância. Hoje sei que minha mãe sempre teve, mas nunca tratou, o transtorno bipolar. Cresci sem amor, sem amparo, sem reconhecimento… Percebia de alguma maneira a insanidade, havia algo muito errado com minha mãe, mas como criança não conseguia fazer nada. Foi muito difícil crescermos totalmente isoladas da parte saudável da família, que só conheci na idade adulta. Minha mãe, com sua loucura, não aguentou criar quatro meninas sozinha. A pressão era muito forte na minha irmã mais velha e em mim. Minha irmã teve problemas psicológicos gravíssimos, também não tratados, e acabou se matando! Aos 16 anos saí de casa para trabalhar e, com 21, decidi vender tudo que tinha e fugir para o exterior. Eu queria ficar longe da minha família, não agüentei a pressão e comecei uma vida nova bem longe, fora do país! Minhas irmãs seguiram meus passos e anos depois consegui trazê-las para perto… Percorri um longo caminho, e a terapia me ajudou a entender e nomear muitas dores, a curar os meus traumas e culpas por ter deixado minha família para sobreviver. Lembrando-me de tudo isso ao dar esse depoimento até parece que estou falando de uma outra pessoa. Às vezes, nem acredito que eu passei por tudo isso! Não sabia, mas agora sei que fui uma vitoriosa diante de tantas adversidades. Hoje, está tudo bem na minha vida… Olho para mim mesma com muito orgulho de ter conseguido tanto sem nenhum apoio, de forma alguma. No exterior eu aprendi a falar inglês, estudei e consegui um trabalho num conhecido banco de um grande centro financeiro internacional. Tenho um emprego muito bom e estou superbem financeiramente. Estou conhecendo a minha família no Brasil, tem sete tios e sete tias! Adoro as minhas tias! Sou uma pessoa leve e aprendi a perdoar minha mãe…

Explodia em uma Ira Incontrolável e Destrutiva…
Relato de Pedro, 38 anos, engenheiro e administrador de empresas, casado.
Acredito que, como a maioria das pessoas, fui conversar com o Julio Peres por desespero, por não aceitar mais a infelicidade da minha vida. Desde havia muito tinha reações exageradas quando vivenciava conflitos, principalmente entre familiares. Começava a ficar nervoso com qualquer discussão e ao esquentar o clima, a partir de um ponto que não sei precisar, explodia em uma ira incontrolável e destrutiva, que só parava quando muito estrago emocional e físico já havia acontecido. Queria muito mudar, o que foi a chave de todo o processo. Sabia que perderia meu casamento, minha vida e minha saúde se continuassem a tratar as situações daquela maneira. Resolvi que faria tudo que estivesse ao meu alcance para solucionar essas sensações desagradáveis que me acompanhavam desde a infância. Sofria com aquelas explosões que nem mesmo sabia de onde vinham. Procurei a Terapia Reestruturativa Vivencial Peres e, logo no começo, gostei muito da abordagem séria, transparente, objetiva e direta ao ponto, do jeito que gosto de tratar dos problemas. O Julio Explicou-me que o inconsciente, segundo Freud, é um arquivo de memórias e que se eu quisesse nós poderíamos tentar perguntar a ele qual a origem dos meus comportamentos para fins terapêuticos. Fomos trabalhando os sintomas um de cada vez. As vivências em estados de consciência ampliados foram trazendo informações valiosas para a minha transformação. Aos poucos fui me conectando com as origens de minhas reações, vivenciando profundamente as mesmas dores e sentimentos de momentos críticos de minhas vidas anteriores, de milênios atrás até o século passado. Nessa volta ao passado, o Julio me ajudava a substituir as mensagens de trauma registradas em meu inconsciente por mensagens novas de aprendizados positivos, que eu trabalhava durante os dias seguintes. Em muitas vivências, o perdão aos outros ou a mim mesmo e o pedir perdão de meus atos naqueles episódios foram muito positivos para mim. Este processo me aliviava de alguma maneira. Embora muito dolorido, não teve momento mais importante e libertador em minha vida. Nas últimas sessões, comentei em lágrimas que me sentia extremamente feliz de poder ter vivido e tido a oportunidade de me transformar em tão pouco tempo. Meu desejo era que todo o ser humano tivesse aquela oportunidade. Estava em estado de gratidão, ao Julio e à vida por terem me ajudado a me libertar de todo aquele passado. Nunca mais voltei a me sentir com aquela ira incontrolável. Muitos episódios me fizeram entender melhor meus pais, as situações de minha vida atual, e, principalmente, a mim mesmo.

Eu não Agüento mais Sofrer…
Relato de Cristina, 38 anos, odontopediatra, casada e mãe de duas filhas.
“Eu não aguento mais sofrer…” Esta foi uma das primeiras frases que falei no início do tratamento. A ansiedade contínua permita-me enxergar que eu mesma cultivava o enxergar que eu mesma cultivava o Não conseguia virar a página do trauma de ser humilhada e abandonada havia mais de 5 anos… Responsabilizava a todos, menos a mim, pelo sofrimento que se arrastava… Generalizei, sem perceber, a culpa para o mundo e fiquei girando muito tempo em torno do mesmo lugar! Não foi fácil perceber na terapia que eu alimentava o sofrimento… Entendi que era necessário deixar de ser a vítima das circunstâncias e assumir a responsabilidade das causas e conseqüências das minhas atitudes. Aprendi outros caminhos e deixei para trás velhas amarras. Estou mais clara e me sinto mais leve, sou melhor companhia para mim e para as pessoas que amo! A cada dia procuro melhorar…

Depois de 9 Anos de Depressão e Crises do Pânico…
Relato de Marcos, 52 anos, empresário, casado e pai de quatro filhos.
Fui usuário de drogas e, na adolescência, tive uma experiência traumática em uma das viagens que fiz. Depois de 9 anos de depressão e crise do pânico ainda não entendia por que sofria tanto até encontrar o tratamento que salvou a minha vida… Cheguei, como em outros processos anteriores, vulnerável e descrente. Nos primeiros encontros o Dr. Julio me disse que esses comportamentos não se apresentavam à toa e que eu f caria bem! Eu duvidei, pois há anos não conseguia melhorar…Na terapia, fui colocando os “pingos nos is” e percebi que as crenças pessimistas tinham uma origem num passado distante. A compreensão e o trabalho com as redecisões no dia a dia foi me libertando das idéias fixas de sofrimento e vulnerabilidade. O que me parecia impossível aconteceu! Hoje eu vivo uma vida feliz e serena... Tenho uma visão realista positiva de mim e do mundo. A família e o trabalho melhoraram por decorrência da minha melhora. Agradeço a Deus e ao Julio por essa oportunidade que eu soube aproveitar!

Não Conseguia Dizer não às Barbáries do meu Ex-marido…
Relato de Helena, 54 anos, empresária, desquitada, mãe de três filhos.
Minha infância foi à moda antiga dos “bons costumes” e aprendi com meus pais a ser uma boa e respeitosa menina. Fui muito tímida desde criança. Tornei-me uma esposa prendada, dócil e cuidadosa. Não conseguia dizer não as barbáries do meu ex-marido, que me traumatizaram por 10 anos. Quando cheguei no consultório do Dr. Julio estava me sentindo como um “cristal quebrado”, totalmente sem possibilidades de juntar os “cacos”. Fragilizada, não confiava em mim e nas minhas possibilidades de reagir a toda violência que sofria. Lembro perfeitamente que a meta que estabelecemos para minha terapia seria de 30 sessões. Percebi aos poucos que, ao contrário de uma pessoa frágil, eu era muito forte por tudo que agüentei em minha vida conjugal. Lembrei-me na terapia de outras vitórias na escola, com a família, e reconstruí a minha própria imagem. No decorrer das sessões eu me sentia mais e mais forte, exercitava as redecisões e tomava atitudes que surpreendiam a todos que me conheceram como uma mulher passiva… Mudei completamente a minha vida! Na vigésima sessão recebi alta. O que eu ouvi naquele momento foi maravilhoso: “você atingiu os objetivos aos quais se propôs no início da terapia, as suas conquistas são sólidas e não há necessidade de continuar com a terapia… Se você quiser trabalhar
outros temas no futuro, estarei à disposição”. Saí do processo segura, feliz, com uma sensação de paz e equilíbrio emocional, e, o mais importante , nunca houve recaída!

Disparou meu Coração e Vieram os Pensamentos Catastróficos de Morte…
Relato de Maria Ruth, 47 anos, casada, mãe de duas filhas, dona de casa.
Há três anos acompanhava minha filha durante uma avaliação neurológica para investigar as causas de dois desmaios recentes. O neurologista, ao conversar comigo sobre minha filha, fez algumas perguntas sobre a minha “história neurológica” e então sugeriu que eu também fizesse um exame de imagem (ressonância magnética nuclear) para controle e esclarecimento de uma dúvida. Fomos ao retorno e com alívio soubemos que os exames da minha filha não acusaram nenhuma anormalidade. As desmaios foram atribuídas à alimentação e atividades físicas irregulares, que facilmente poderiam ser controladas a partir dali. Contudo, apesar da boa primeira notícia, os meus exames revelaram uma neurocisticercose com indicação cirúrgica. Imediatamente, fiquei assustada e perplexa com a surpresa. Disparou meu coração e vieram os pensamentos catastróficos de morte. Quando cheguei ao consultório do Dr. Julio, eu preenchia todos os critérios de TEPT agudo (memórias traumáticas) do médico dando a notícia da neurocisticercose, pesadelos, pensamentos (indesejáveis, irritabilidade etc.). Em uma das sessões eu tive um insight, que trouxe uma nova maneira de ver a aterrorizante situação: “melhor comigo do que com a minha filha”. Essa frase marcou o início de outros diálogos comigo mesma, positivos a respeito da cirurgia e do meu tratamento neurológico. É incrível como a figura da situação mudou. Eu sou mãe, e se isso acontecesse com a minha filha, eu certamente pediria a Deus para deslocar suas dores a mim, poupando-a do sofrimento. Durante as sessões, eu me lembrava de outras situações que fortaleciam essa visão, como a de uma mãe que não sabia nadar e se atirou na piscina para salvar seu filho pequeno. Realmente, como mães, fazemos coisas pelos f lhos que talvez não fizéssemos para nós mesmas. Fui sentindo as bases sólidas de calma, paciência e confiança de que o melhor estava acontecendo! Felizmente, com a permissão de Deus, minhas respostas foram também positivas após a cirurgia.

Fingir que Tudo Está Bem não Ajuda em Nada…
Relato de Américo, 54 anos, advogado, casado e pai de um filho.
A superação de qualquer dificuldade passa por reconhecer a sua existência. Fingir que tudo está bem não ajuda em nada. É preciso ter a exata noção do desafio, vontade e confiança para enfrentá-lo todos os dias. A superação não é algo que acontece e pronto: é uma conquista diária.

Tentava Preencher um Vazio que Nunca Acabava…
Relato de Carla, 19 anos, estudante.
Quando cheguei à clínica do Dr. Julio não estava nada bem… Vivia inquieta, tinha muitos desentendimentos com a minha mãe (moro). somente com ela; (meus pais são separados) e problemas nos relacionamentos amorosos. Desde a adolescência tive muitos namorados (corri riscos sérios muitas vezes) e ao mesmo tempo não tinha ninguém.Estava sempre só dentro de mim e tentava preencher um vazio que nunca acabava… Tinha horror de ser abandonada! Não me Considero burra, mas atraía essas situações de rejeição. Parecia que “escolhia a dedo” aqueles que me abandonariam.A terapia me ajudou a descobrir o trauma que eu sofri aos 3 anos de idade, quando o meu pai (que segundo a minha mãe eu adorava) foi simplesmente embora e nunca mais voltou. Não me lembrava de que na época eu sofri muito. As minhas vivências foram mostrando isso, fiquei quietinha, parei de falar por vários meses e não entendia
por que meu pai não me queria mais e nunca mais voltava. Minha mãe confirmou tudo que eu percebia na terapia e me deu muito apoio. Meu medo inconsciente que acontecesse a dor do abandono de novo me fazia procurar vários namorados e ter outros problemas que me acompanharam até a fase adulta.Às vezes, pensamos que não conseguiremos superar algo em nossas vidas, mas basta detectar o trauma para traçarmos um “caminho sem buracos” e assim viver em paz e tranqüila como estou vivendo hoje.

O Grito “Assalto!” com o Ruído Estridente dos Vidros Quebrando me Acordaram de um Transe Pessimista…
Relato de Helena, 39 anos, separada, mãe de três filhos, médica.
Minha vida estava repleta de conflitos e indecisões no campo afetivo e profissional. Repetia sempre “Não estou bem, não faço o que quero”,mas não consigo mudar!”. Assim o tempo passava… Vivia diariamente”.angustiada e me refugiava no sono para “esquecer” os meus conflitos. Um dia, algo inesperado quebra a janela do meu carro e essa corrente negativa dos pensamentos. O grito “Assalto!” com o ruídos estridentes dos vidros quebrando me acordaram de um transe pessimista que eu arrastava havia 2 anos. Confrontei a morte! Meu coração disparou e meu corpo tremeu inteiro. Nesse estado pensei
algo que nunca tinha pensado com tanta clareza: “não quero morrer!”.O assalto terminou, ficaram apenas algumas escoriações e, feliz mente,o marco da reflexão que me impulsionou para grandes mudanças.Nunca tinha chegado a “conversar” com a morte de perto. Nesse assalto,senti que eu poderia ter morrido, e não poderia morrer nesse estado depreciativo. Pela primeira vez pensei: como seria morrer bem?As respostas foram chegando, e uma delas me fortaleceu muito: na minha morte quer ter a consciência tranqüila de que fiz o que gostaria de fazer em vida! Vejo que o assalto foi um marco curioso mente positivo em minha vida. Assim, comecei a mudar as minhas atitudes com respeito e honestidade para comigo mesma e hoje, depois de 6meses do assalto, posso dizer que vivo, e muito bem!

Lidar com a Morte É Terrivelmente Angustiante,Lento e Dolorido…
Relato de Clarice, 44 anos, jornalista, casada e mãe de uma filha.
Eu tinha 16 anos quando meu pai cortou o próprio pescoço. Nenhuma carta. Nenhuma declaração. Nenhum adeus. Muitas fofocas. Numa cidade tão pequena como era Campo Grande em 1989 foi
difícil conviver com o estigma de ser a filha do suicida com a mãe possivelmente adúltera. Lidar com a morte é terrivelmente angustiante,lento e dolorido. Entender o suicídio é pior ainda, e digo isso como alguém que passou 19 anos tentando. Deitei em muitos divãs,escrevi diário, experimentei bebidas e drogas. Amei, fui traída, traí,
encontrei mais canalhas do que homens. Também tive fases de passar todas as noites e madrugadas em festas, e outras de suprema entrega ao trabalho, mas nunca, jamais, esqueci aqueles dias que
mudaram meu destino. Uma das maiores dificuldades com a morte do meu pai foi aceitar
a ausência da minha mãe. Um mês depois do enterro, ela disse que estava namorando outro homem. Em 3 meses tínhamos uma nova casa, um novo cachorro, dois novos carros e um novo cara na nossa vida.
Doía saber que meu pai amou demais minha mãe a ponto de nos deixar para trás, mas não havia volta. Eu poderia ter feito a mesma coisa que o meu pai. Também tive depressão, e a explicação seria fácil pra todo mundo.Um dia acordei e decidi tratar o trauma com ajuda especializada.Além da psicoterapia passei a tomar remédios acompanhada por um neurologista para tratar meu transtorno de humor, e voltei a
praticar exercícios. Com a vida mais organizada, acabei me apaixonando por um cara sensacional e junto tivemos a mais linda menina deste planeta. Eu que acreditei que famílias eram coisa do passado,esquisitas, mafiosas, repugnantes, hoje mantenho com amora minha pequena turma reunida. Sou capaz de qualquer coisa pelas duas pessoas que tanto amo.Ele, meu pai, está sempre por perto, principalmente nos momentos
de alegria, quando meu desejo de partilhar a felicidade fica do tamanho do universo. Sim, eu superei. Eu achei que eu o odiava,m as estava enganada… Eu o amo até na ausência.

Senti-me um Pai Fracassado…
Relato de Pedro, 49 anos, empresário, casado pela segunda vez e pai de dois filhos.
No ano de 2007, quando descobri que meu f lho estava viciado em drogas, senti-me um pai fracassado. Ainda que eu estivesse perto do meu filho fisicamente, eu não enxergava a tão importante dimensão
psicológica. Fui buscar ajuda e descobri que a minha dedicação a ele dando o máximo de carinho, atenção e amizade iria nos ajudar.Ele iniciou a psicoterapia e eu passei a ficar mais próximo dele.
Descobri o porquê daquele acontecimento e comecei a ajudar o meu f lho a reconstruir sua autoestima mostrando quanto é bom viver,sempre acreditando em uma força maior que está nos ajudando…
Isso foi fantástico!Hoje tenho a satisfação de ter ganhado um filho, um amigo e parceiro na vida! Estamos com muito mais diálogo e com maior entendimento em nosso lar, tanto com ele quanto o com outro filho,
que me ajudou muito na união da família.Portanto, não ficamos mais pensando no passado,todavia vivemos este momento maravilhoso nos dando forças para vencermos juntos. Quando você ama seu filho não coloca limites para vencer com ele as adversidades da vida. Ele fez sua parte, e a vitória do meu
filho é a vitória de todos!

Um Medo Irracional me Invadia…
Relato de Mariana, 68 anos, casada e mãe de três filhos.
Comecei a terapia fragilizada, com um medo irracional constante e dependente dos profissionais da saúde a quem eu recorria compulsivamente…Eu, que no passado havia viajado à Europa e aos Estados Unidos algumas vezes, de repente não conseguia mais ficar dentro de um avião. Um medo irracional me invadia! Logo no início da psicoterapia, percebi que tinha dificuldade de emitir minhas opiniões e sempre buscava o aval para o que dizia. As metas propostas,semana após semana, incentivaram-me cada vez mais a me
libertar do medo. Isso foi ocorrendo: a autoestima foi aumentando e aquela vontade de procurar novos médicos para as minhas somatizações foram desaparecendo.Atualmente tenho uma boa autoestima, meus diálogos internos são saudáveis e não mais pessimistas. Faço minhas atividades com independência, estou vinculada à saúde e já faço voos domésticos,sem medo. Até pequenas aulas eu passei a dar no meu grupo
religioso! Aquela vontade de queixar de tudo e de mim própria também diminuiu consideravelmente .Espero em breve viajar para o exterior e enviar um belo cartão ao Dr.Os problema psicossomáticos ainda acontecem esporadicamente, mas, logo me levanto. Digo para mim mesma, um passo de cada vez, e aos 68anos de idade não espero milagres, mas melhoras contínuas. Agradeço de coração a dedicação em me ajudar a me encontrar… Os problemas ainda existem em torno de mim, mas já não me atingem
tanto, não mais me vitimizo; ao contrário, reconheço as minhas capacidades!

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Apresento agora um caso clínico mais detalhado para exemplificar
como nossa terapia de exposição e reconstrução cognitiva pode ajudar as vítimas de traumas a desenvolver o crescimento psicológico a partir de suas experiências negativas, promovendo dinâmicas psicológicas saudáveis.

Uma paciente com TEPT e comorbidade depressiva foi diagnosticada de acordo com os critérios do DSM-IV (American Psychiatric Association, 1994). Suas principais queixas referiam a interrupção de suas atividades diárias, isolamento, flashbacks e pensamentos intrusivos devido a um seqüestro relâmpago sofrido oito meses antes da terapia. A Sra. M, 36 anos, casada, mãe de duas meninas, submeteu-se a 16 sessões (uma por a semana) durante aproximadamente 4 meses. A versão de Escala-Diagnóstica de TEPT (CAPS) (Blake et al., 1995), a Entrevista Clínica Semi-Estruturada para DSM-IV (SCID) (First et al., 1995), a Escala de Impacto de Evento (EIS) (Horowitz et al., 1979), o Inventário de Depressão Beck (BDI) (Beck & Steer, 1987), e o Inventário de Ansiedade Beck (BAI) (Beck et al., 1988) foram aplicados quatro vezes: (1) antes da psicoterapia, (2) após a psicoterapia, (3) os cinco meses após a psicoterapia (follow up), e (4) os doze meses após a psicoterapia (follow up) (tabela 1).

Durante a anamnese, investigamos como a Sra. M. tratou das adversidades passadas, não relacionadas ao trauma atual. A Sra. M. descreveu várias situações onde sentiu-se vulnerável, frágil, e incapaz de mudar as situações da infância que causaram sofrimento. Como adulta, mesmo quando correta, Sra. M. não discutia com figuras de autoridade, como irmãos mais velhos, professores e chefes porque sentia-se incapaz de se defender. Os momentos emocionalmente impactantes trouxeram a expressão verbal recorrente "...eu me sentia muito pequena, rejeitada e incapaz de fazer qualquer coisa". Durante a anamnese, a Sra. M. foi orientada a selecionar algumas memórias positivas dos episódios que tinha enfrentado e vencido adversidades. Superou o medo de escuro aos 11 anos, o medo de viajar sem seus pais aos 16 anos, aos 18 anos defendeu seu primo mais novo quando apanhou de meninos mais velhos, e aos 29, discutiu com o médico de seu filho por causa da falta da atenção, obtendo assim o tratamento adequado. Essas e outras memórias positivas de auto-eficácia disparavam segurança, auto-confiança e uma boa auto-imagem.

A terapia de exposição e reconstrução cognitiva ajudou gradualmente a Sra. M. a perceber como era forte sua raiva, como realmente passou por adversidades importantes e, se não fosse uma pessoa forte, não sobreviveria a tais episódios. Durante a narração dos eventos traumáticos, a Sra. M. tornou-se consciente da dinâmica recorrente relacionada à auto-piedade e à sua recusa em acreditar que poderia enfrentar as dificuldades. O diálogo interno "eu não consigo fazer isso, não me sinto capaz" foi verificado diversas vezes durante a narração de suas memórias emocionais negativas. A Sra. M percebeu que a mesma dinâmica psicológica de fragilidade, falta de habilidade e desamparo se manifestaram durante a evocação da memória traumática do seqüestro.

A Sra. M. surpreendeu-se ao perceber que a mesma expressão, "Eu me senti muito pequena e incapaz de fazer qualquer coisa" repetiu-se quando recuperou a memória ainda sensorialmente fragmentada e narrativamente desorganizada do seqüestro. De maneira satisfatória, a Sra. M. tornou-se ciente das crenças não conscientes que exacerbavam o sofrimento psicológico. Em um estado relaxado, a paciente contatou o banco de memória resiliente previamente reforçado a fim de gerar novas interpretações que facilitariam a reconstrução terapêutica da memória traumática. Perguntas como "De que maneira suas experiências positivas podem te ajudar agora? Que aprendizagem pôde ser adquirida a partir desta experiência, que pode conduzir você a uma vida melhor no presente? Como você quer usar essa nova consciência que adquiriu na sessão?" foram feitas oportunamente.

Após tornar-se consciente destes padrões inconscientes de comportamento, a Sra. M. escolheu um "lugar" novo para ocupar em seu momento atual de vida. A paciente elaborou as redecisões cognitivas que desenvolviam nova dinâmica psicológica baseada em suas força e habilidade de enfrentar adversidades, tais como o “Eu reconheço minha força e enfrento as dificuldades de forma calma e confiante” e “Retomo minhas atividades diárias com segurança”. A prática das redecisões cognitivas foi gradativamente construindo dinâmicas psicológicas saudáveis. A Sra. M. recomeçou suas atividades diárias, os pensamentos intrusivos e flashbacks diminuíram gradualmente e o padrão do sono retornou ao normal a partir da sexta semana.

Ao término das oito sessões a Sra. M. narrou suas memórias de uma maneira cognitivamente mais organizada e com uma distinta valência emocional. Acreditamos que uma memória sensorial fragmentada - provavelmente não hipocampo pré-frontal dependente - foi traduzida em um sistema de memória (emocional) declarativa - hipocampo pré-frontal dependente (Brewin et al., 1996; Brewin, 2001). Os escores do Inventário da Ansiedade Beck (Beck et al., 1987), do Inventário de Depressão Beck (Beck et al., 1988), da Escala de Impacto de Evento (Horowitz et al., 1979), e da Escala-Diagnóstica de TEPT (Blake et al., 1990) diminuíram satisfatoriamente após 4 meses de psicoterapia. A Sra. M. foi clinicamente monitorada por 12 meses após a psicoterapia (tabela 1). Os ganhos continuaram estáveis, a Sra. M. manteve a dinâmica saudável e não apresentou recorrência ou deslocamento dos sintomas.
Resultados antes e após a Terapia Reestruturativa