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A importância da figura do Pai na infância

Ser amado, rejeitado ou violentado pelo pai pode afetar a personalidade e o desenvolvimento das crianças até a fase adulta. Ou seja, as relações na infância, especialmente com o pai e outras figuras de autoridade, moldam as características da nossa personalidade. Por isso a figura do pai na infância é muito importante. Essa imagem vem acompanhada de poder/autoridade e prestígio. Por conta disso, pode ser que uma rejeição por parte dessa figura tenha um impacto maior na vida da criança.

Segundo a Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional, a ausência ou rejeição do pai durante a infância pode influenciar diretamente na maneira como as crianças lidam com os relacionamentos e na forma como percebem as coisas que acontecem ao seu redor perdurando até a vida adulta. Em geral, pessoas que sofreram com o abandono durante a infância podem apresentar problemas de relacionamento pessoal, no ambiente escolar e na vida profissional. Além disso, esses indivíduos podem desenvolver quadros de depressão, baixa autoestima, ansiedade e falta de confiança.

E conforme levantamento da Universidade de Connecticut, a ausência ou presença da figura paterna é a que mais tem impacto na vida dos filhos. E concluiu que a rejeição afeta crianças que apresentam como principais sintomas a ansiedade e a insegura, seguidos de hostilidade e agressividade. E os impacto se perpetuam na vida adulta.

Ser rejeitado é um dos maiores medos do ser humano. É comum que crianças que sofrem de abandono afetivo apresentem problemas em seu comportamento social por toda vida, uma vez que a dor da rejeição pode gerar sérios distúrbios de comportamento.

Quando crianças, somos inocentes, carentes, submissos, indefesos e despreparados para a vida, precisamos de alguém que supra as nossas carências para um desenvolvimento satisfatório. Quando esse alguém não existe ou a criança é violentada dentro das suas relações, os traumas surgem e, na sua grande maioria, são levados para a vida adulta. Essas sequelas fazem com que o adulto acredite estar sempre desamparado, abandonado e solitário, tornando-se uma pessoa insegura, tímida e com medo de se aventurar na vida.

O trauma gerado pelas agressões físicas e psicológicas dos pais tóxicos é “uma humilhação vinda daqueles a quem se ama”, diz a psicóloga Márcia Marques. A criança cresce num estado de alerta, o que causa uma ansiedade que se torna crônica. E ainda, “a criança nunca sabe o que esperar e nem como agir”, diz o psicólogo Júlio Peres.

Para superar esse trauma é preciso compreender que por trás de toda experiência existe um propósito e um aprendizado e isso se faz com a ajuda de um profissional especializado. É importante refletir sobre como esse trauma influencia a vida, a maneira como lida com relacionamentos e os comportamentos recorrentes. É importante não ter medo de se relacionar e entender que nem todas as pessoas importantes irão abandonar ou maltratar.

O papa Francisco assim se expressa: “a primeira necessidade do pai, então, é justamente essa: que o pai seja presença na família. Que seja próximo à mulher, para partilhar tudo, alegrias e dores, cansaços e esperanças. E que seja próximo aos filhos em seu crescimento: quando brincam e quando se empenham, quando estão despreocupados e quando estão angustiados, quando se exprimem e quando ficam em silêncio, quando ousam e quando têm medo, quando dão um passo errado e quando reencontram o caminho; pai presente, sempre. Dizer presente não é o mesmo que dizer controlador! Porque os pais muito controladores anulam os filhos, não os deixam crescer.”

Com isso, fica uma lição para os pais: amem seus filhos! Homens geralmente têm maior dificuldade em expressar seus sentimentos, mas o carinho vindo de um pai, ou seja, a aceitação e a valorização vinda da figura paterna, pode significar tudo para um filho, mesmo que nenhum dos dois saiba disso ainda.

Por Paulo Tardivo